NASCE UM ÍDOLO


"Sou
do signo de Câncer e, como tal, sou romântico incurável"
Nascido
em São Bernardo do Campo (São Paulo), Alexandre
Arez é aficionado por bolero. "Minha mãe
gostava dos grupos Trio Cristal e Trio Guadalupe, recorda. "Esses
artistas cantavam as músicas que interpretei no programa
Raul Gil e cresci escutando seus LP's". Anos depois Alexandre
ouviu a regravação de um desses sucessos por Luís
Miguel e ficou fascinado com a nova roupagem que o astro conferiu
à canção. Foi o bastante para se convencer
de que uma pitada de modernidade poderia tornar o bolero popular
outra vez. "Discos de boleros sempre tiveram público
cativo no Brasil", informa. Coletâneas do gênero
nunca deixaram de ser editadas em nosso país.
Apesar
de ter se consagrado no gênero que admira, Alexandre orefere
avaliar a atual fase de sua carreira com cautela. "E preciso
trabalhar muito para manter o sucesso - e sucesso, em minha
opinião, é muito mais do que ser reconhecido nas
ruas e dar autógrafos", pondera.
Na casa onde mora, em São Bernardo do Campo (SP) , claro,
não é diferente. "Sou super organizado, gosto
de tudo no seu devido lugar", conta.
A ENTREVISTA

Após
gravar seu primeiro CD e consagrar-se como cantor, você
já consegue viver exclusivamente da música?
- Antes de me tornar cantor profissional tive uma carreira
como engenheiro de alimentos. Hoje, vivo das economias que
juntei nesse periodo.
Como
seus ex-colegas de trabalho vêem o seu sucesso?
- Quer saber? Acho que ninguém ficou surpreso, porque
desde os tempos de estudante cantava em eventos culturais
realizados pela faculdade
É
verdade que seu amor por boleros foi herdado de sua mãe?
- Minha mãe adorava esse gênero e, quando jovens,
somos muito influenciados pelo tipo de música que nossos
pais escutam.
Seus familiares também
o incentivavam a ser artista?
- sim, sempre que disseramum dia eu chegaria llá. Agora
que meu sonho começou a se concretizar, estão
apaixonados por minha carreira. O único "senão"
imposto por meu pai foi: "Quer ser artista? Pois seja
- desde que me traga um diploma" ( risos)
.

E
você cumpriu os requisitos à risca. Fale-me um
pouco sobre sua carreira como engenheiro de alimentos.
- Além de trabalhar como engenheiro, fiz patologia clinica,
mas a profiss!ão não tinha nada a ver comigo.
Como engenheiro trabalhei em grandes empresas e tive uma carreira
sólida - mas quando chegava domingo à noite ficava
amargurado e pensava: "Que droga, quero ser cantor"
(risos)! consequentemente, toda segunda-feira estava mal-humorado.
Gostava do que fazia, trabalhava com desenvolvimento de vários
alimentos e até amanizava meu sofrimento em ações
de treinamento.... Como esses eventos evolvem muitos funcionários,
usava a voz e um violãozinho para animar o pessoal!.
Mas um dia não aguentei mais: "chega! Vou correr
atrás do meu sonho" (risos)! Inscrevi-me no programa
do Raul Gil e fui trabalhar minha carreira. Nã é
poca em que me inscrvi não trabalhava mas em periodo
integral - atuava apenas como consultor. Em vista do sucesso
do programa as pessoas tocavam a campainha da empresa e perguntava
se era ali que o Alexandre Arez trabalhava (risos). A situação
começou a ficar complicada e tive que me dedicar 100%
à nova profissão.
E
aquela melancolia dos domingos? Passou?
- Graças a Deus! Hoje, estou mais tranquilo (risos).
considero um previlégio poder me dedicar profissionalmente
`minha grande paixão. Se não fosse por Raul
gil, quais seriam minhas chances de ser um cantor de bolero?
Que gravadora investiria em um novo cantor do gênero
se é mais fácil lucrar com reedições
de material antigo? Felizmente, a Luar Music e Warner acreditaram
em mim e me propiciaram esse sonho.
Como foi sua estreia no programa?
- Estava nervosíssimo e quando estamos nervosos rendemos
30% do que poderíamos render. Mesmo assim, não
sai do tom e causei boa impressão. Só pra você
ter uma idéia: quando cheguei em casa minha mãe
perguntou-me como fora o programa e eu simplesmente não
nembrava. Embora tivesse cantado em bandas de baile e me apresentado
em publico, ali estava eu, cantando para todo o Brasil. O
programa Raul Gil tem a reputação de ser o melhor
programa musical da TV Brasileira e a responsabilidade de
se apresentar ali é grande. Estreei cantando "All
I Ask of you", da peça "O Fantasma da Ópera".
Mas depois decidi cantar boleros e o Raul adorou a idéia.
O público mais velho identificou-se com o repertório
- mas o melhor foi ver meninas de 15, 16 anos caantando sucessos
de 20 anos atrás.
O que você espera da
carreira artística? Tornar-se um astro que vende milhões
de disco ou apostar em sua carreira "personalizada",
conquistando público cativo?
- Se eu vender um milhão de discos, ótivo. Mas
estouinteressado em constuir uma carreira sólida, Caetano
Veoloso não vende millhões de discos, mas sempre
foi um artista respeitado. Por exemplo: basta Luís
Miguel lançar um disco para eu sair correndo de casa
e ir comprar - não precisa nem fazer publicidade. Alem
disso, espero ter oportunidade de lançar um disco lá
fora. É preciso acreditar, não é?
E a que você atribui
o sucesso de Quem sabe Canta, Quem não sabe Dança?
- Tudo o que é feito com verdade, com alma, conquista
o respeito do público. A platéia e os telespectadores
percebem que estamos travando uma batalha, dando o melhor
de nós em troca de uma oportunidade. L, cantamos o
que queremos, somos responsáveis por nosso comportamento
no palco. Ninguem lhe diz: "Olhe para essa ou para aquela
câmera". Em suma, é algo muito verdadeiro
- e o público gosta de coisas verdadeiras
Reza a lenda que todo o cantor
de bolero é romântico. Isso se aplica a você?
- E como! Sou do signo de Câncer e, como tal, sou romântico
incurável (risos)
Matéria
publicada na Alô Garota Premiun - Edição
05
02/07/2002 |