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ENTREVISTA -CURITIBA - abril/2003
 
 

Alexandre Arez e Érika Rodrigues: dedicação de fãs como dona Marise garante vendas acima da média e popularidade sem a perda da privacidade

 
             

Fidelidade dos fãs mais afoitos e do público que formaram durante meses de apresentações nas tardes de sábado é o segredo do sucesso de Alexandre Arez e Érika Rodrigues
 

Marise ficou um pouco decepcionada quando o cantor Alexandre Arez falou em uma entrevista que já tinha um fã-clube sendo montado. Afinal, na época, já se considerava a mais ardorosa dentre o público do cantor revelado pelos concursos vespertinos do programa Raul Gil, na Rede Record. Pés-de-valsa, ela e o marido acompanhavam o rapaz desde a primeira participação no quadro Quem Sabe Canta, Quem Não Sabe Dança. Os boleros que por ele eram interpretados conquistaram o casal.

Marise não imaginava que era justamente dela que o cantor falava quando tocou no assunto fã-clube. Pouco depois, ela recebia a ligação do cantor, que a convidava para ser presidente do tal. A essa altura, ela e o marido, autônomos em informática, já estavam com um grupo de discussão sobre o cantor na internet e além disso trocavam e-mails com o ídolo. Hoje o grupo tem 100 participantes e o fã-clube tem 50 membros bastante ativos, numa rede que passa pelo Brasil, México, Estados Unidos e outros países. Quando Arez viaja para algum dos lugares em que fará show, tem a garantia de que terá alguém para lhe apoiar além das costumeiras assessoria de imprensa e produção do espetáculo.

Talvez esse seja o segredo dos novos cantores que nos últimos anos foram revelados pelo programa de Raul Gil. Apesar de não estarem no mainstream, em uma posição que os deixa correndo por fora da grande mídia, o sucesso de artistas como Alexandre Arez, que faz show hoje no Santa República, e de Érika Rodriguez, que fará uma participação especial no espetáculo, impressiona. Durante um período em que apareciam concorrendo semanalmente com outros cantores, foram conquistando não somente fãs, mas torcedores. Além de um contrato com a Warner Music/Luar, de alguma forma isso lhes deu a vendagem de 100 mil cópias cada um. Ambos devem lançar o segundo CD na metade do ano, confirmando a aposta que a gravadora faz na fidelidade do público formado.

Sem ter suas imagens desgastadas em diversos programas semanais, sem ter suas gravações tocando nas FMs até estourar as caixas de som e sem ter sua individualidade prejudicada ao passearem na rua e nos shoppings, sofrendo apenas abordagens de fãs discretos, os dois têm resultados que outros cantores só conseguem com muito investimento em divulgação.

 

Bolero, o que é mesmo isso?!

O bolero é um ritmo musical adaptado da clássica balada às raízes afro-espanholas, que se desenvolveu em Cuba, Porto Rico, República Dominicana e México. A primeira canção que teria recebido a denominação de bolero é Tristezas, escrito em Cuba, em 1910, por José Pepe Sánchez. Por este motivo, diz-se que Cuba é a "Mãe" do bolero. Entre os grandes compositores e intérpretes desse gênero estão Rafael Hernández (Porto Rico), Agustín Lara (México), Lucho Gatica (Chile) e Gregorio Barrios (Argentina). Havia uma época em que praticamente só se cantava e dançava o bolero.
   
Boleros e pop marcam o repertório

Alexandre Arez ficou 24 semanas a defender seu trono como cantor. Na primeira vez em que subiu ao palco de Raul Gil, apresentou uma música em inglês. Não se saiu bem. Na segunda, decidiu apresentar canções que ouvia desde criança. Boleros sempre o fascinaram e escolheu o repertório de um dos mais reconhecidos cantores do gênero, Luís Miguel, para defender no concurso. Só clássicos. El Dia Que Me Quieras, Jurame, Perfídia e por aí. Muitos o consideram por conta disso o responsável pelo resgate do bolero, gênero romântico que, em meio a tantas egüinhas pocotós, anda esquecido. No show ele também apresenta canções brasileiras. "Tem cantores que preferem atenção total, mas acho natural que com esse repertório todos comecem a dançar", diz Arez. Em seu CD há doze regravações, incluindo I Turn You, de Cristina Aguilera. Duas são inéditas de Peninha, Só Sei Amar Você e Vida.

Arez, que tem em sua formação alguns anos de violão clássico, piano e canto, ainda está se habituando com a idéia de ser um cantor de sucesso. Há até pouco tempo trabalhava como engenheiro de alimentos. Frustrado, não gostava do que fazia. "Hoje, trabalho mais do que antes", diz Arez. "Mas sou mais feliz."

Se Arez ainda se acostuma com sua nova rotina de astro, é possível que Érika Rodrigues ainda esteja a assimilar a idéia de ser cantora. Até pouco tempo atrás, ela nem sonhava com isso. Cantava escondida. Quem acabava por ouvi-la, porém, a incentivava. A menina tinha talento. Participou de um concurso de karaokê e se deu bem. Foi aí que decidiu inscrever-se no quadro do programa Raul Gil.

Como nunca era chamada, passou a freqüentar semanalmente o auditório na esperança de a oportunidade aparecer. E ela surgiu quando o apresentador desafiou a platéia para saber quem atingia o tom mais alto cantando uma das vinhetas do programa. Ela conseguiu. Raul Gil disse que ela deveria se inscrever no concurso. Ao todo, foram 30 semanas de presença no palco. Perdida de Amor, seu disco de estréia, envereda pelo pop romântico.

Érika recentemente teve seu CD levado por uma equipe que trabalha com Celine Dion, aquela da música tema de Titanic. A simples possibilidade de trabalhar com a cantora que é seu ídolo ou de, pelo menos, encontrá-la, faz Érika soltar suspiros, mostrando que nela ainda existe um pouco da fã que existe em Marise

Entrevista de Alexandre Arez, Marise, presidente do Fã Clube Oficial e Erika Rodrigues
por Jornalista Alessandro Martins - Jornal do Estado - Curitiba/Pr - Publicado em: 09/04/2003 -
Foto Whashington
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