Alexandre Arez e Érika Rodrigues: dedicação
de fãs como dona Marise garante vendas acima da média
e popularidade sem a perda da privacidade
Fidelidade
dos fãs mais afoitos e do público que formaram
durante meses de apresentações nas tardes
de sábado é o segredo do sucesso de Alexandre
Arez e Érika Rodrigues
por
Alessandro Martins
Marise ficou um pouco decepcionada quando o cantor Alexandre
Arez falou em uma entrevista que já tinha um fã-clube
sendo montado. Afinal, na época, já se considerava
a mais ardorosa dentre o público do cantor revelado
pelos concursos vespertinos do programa Raul Gil, na Rede
Record. Pés-de-valsa, ela e o marido acompanhavam
o rapaz desde a primeira participação no
quadro Quem Sabe Canta, Quem Não Sabe Dança.
Os boleros que por ele eram interpretados conquistaram
o casal.
Marise
não imaginava que era justamente dela que o cantor
falava quando tocou no assunto fã-clube. Pouco
depois, ela recebia a ligação do cantor,
que a convidava para ser presidente do tal. A essa altura,
ela e o marido, autônomos em informática,
já estavam com um grupo de discussão sobre
o cantor na internet e além disso trocavam e-mails
com o ídolo. Hoje o grupo tem 100 participantes
e o fã-clube tem 50 membros bastante ativos, numa
rede que passa pelo Brasil, México, Estados Unidos
e outros países. Quando Arez viaja para algum dos
lugares em que fará show, tem a garantia de que
terá alguém para lhe apoiar além
das costumeiras assessoria de imprensa e produção
do espetáculo.
Talvez
esse seja o segredo dos novos cantores que nos últimos
anos foram revelados pelo programa de Raul Gil. Apesar
de não estarem no mainstream, em uma posição
que os deixa correndo por fora da grande mídia,
o sucesso de artistas como Alexandre Arez, que faz show
hoje no Santa República, e de Érika Rodriguez,
que fará uma participação especial
no espetáculo, impressiona. Durante um período
em que apareciam concorrendo semanalmente com outros cantores,
foram conquistando não somente fãs, mas
torcedores. Além de um contrato com a Warner Music/Luar,
de alguma forma isso lhes deu a vendagem de 100 mil cópias
cada um. Ambos devem lançar o segundo CD na metade
do ano, confirmando a aposta que a gravadora faz na fidelidade
do público formado.
Sem
ter suas imagens desgastadas em diversos programas semanais,
sem ter suas gravações tocando nas FMs até
estourar as caixas de som e sem ter sua individualidade
prejudicada ao passearem na rua e nos shoppings, sofrendo
apenas abordagens de fãs discretos, os dois têm
resultados que outros cantores só conseguem com
muito investimento em divulgação.
Bolero,
o que é mesmo isso?!
O
bolero é um ritmo musical adaptado da clássica
balada às raízes afro-espanholas, que se desenvolveu
em Cuba, Porto Rico, República Dominicana e México.
A primeira canção que teria recebido a denominação
de bolero é Tristezas, escrito em Cuba, em 1910,
por José Pepe Sánchez. Por este motivo, diz-se
que Cuba é a "Mãe" do bolero. Entre
os grandes compositores e intérpretes desse gênero
estão Rafael Hernández (Porto Rico), Agustín
Lara (México), Lucho Gatica (Chile) e Gregorio Barrios
(Argentina). Havia uma época em que praticamente
só se cantava e dançava o bolero.
Boleros
e pop marcam o repertório
Alexandre
Arez ficou 24 semanas a defender seu trono como cantor.
Na primeira vez em que subiu ao palco de Raul Gil, apresentou
uma música em inglês. Não se saiu bem.
Na segunda, decidiu apresentar canções que
ouvia desde criança. Boleros sempre o fascinaram
e escolheu o repertório de um dos mais reconhecidos
cantores do gênero, Luís Miguel, para defender
no concurso. Só clássicos. El Dia Que Me Quieras,
Jurame, Perfídia e por aí. Muitos o consideram
por conta disso o responsável pelo resgate do bolero,
gênero romântico que, em meio a tantas egüinhas
pocotós, anda esquecido. No show ele também
apresenta canções brasileiras. "Tem cantores
que preferem atenção total, mas acho natural
que com esse repertório todos comecem a dançar",
diz Arez. Em seu CD há doze regravações,
incluindo I Turn You, de Cristina Aguilera. Duas são
inéditas de Peninha, Só Sei Amar Você
e Vida.
Arez,
que tem em sua formação alguns anos de violão
clássico, piano e canto, ainda está se habituando
com a idéia de ser um cantor de sucesso. Há
até pouco tempo trabalhava como engenheiro de alimentos.
Frustrado, não gostava do que fazia. "Hoje,
trabalho mais do que antes", diz Arez. "Mas sou
mais feliz."
Se
Arez ainda se acostuma com sua nova rotina de astro, é
possível que Érika Rodrigues ainda esteja
a assimilar a idéia de ser cantora. Até pouco
tempo atrás, ela nem sonhava com isso. Cantava escondida.
Quem acabava por ouvi-la, porém, a incentivava. A
menina tinha talento. Participou de um concurso de karaokê
e se deu bem. Foi aí que decidiu inscrever-se no
quadro do programa Raul Gil.
Como
nunca era chamada, passou a freqüentar semanalmente
o auditório na esperança de a oportunidade
aparecer. E ela surgiu quando o apresentador desafiou a
platéia para saber quem atingia o tom mais alto cantando
uma das vinhetas do programa. Ela conseguiu. Raul Gil disse
que ela deveria se inscrever no concurso. Ao todo, foram
30 semanas de presença no palco. Perdida de Amor,
seu disco de estréia, envereda pelo pop romântico.
Érika
recentemente teve seu CD levado por uma equipe que trabalha
com Celine Dion, aquela da música tema de Titanic.
A simples possibilidade de trabalhar com a cantora que é
seu ídolo ou de, pelo menos, encontrá-la,
faz Érika soltar suspiros, mostrando que nela ainda
existe um pouco da fã que existe em Marise
Entrevista
de Alexandre Arez, Marise, presidente do Fã Clube
Oficial e Erika Rodrigues
por Jornalista Alessandro Martins - Jornal do Estado - Curitiba/Pr
- Publicado em: 09/04/2003 -
Foto Whashington